O Wikipedia traz a seguinte informação acerca do Devir de Heráclito:
Cerca de 500 a.C. Heráclito escreveu o seguinte:
- Tudo flui e nada permanece, tudo dá forma e nada permanece fixo;
- Você não pode pular duas vezes no mesmo rio, pois outras águas e ainda outras, vão fluir.
- Ele diz já na primeira frase que "tudo flui" e "nada permanece". Se pensarmos como o filósofo que recebeu a alcunha de "o obscuro", tudo que é ou, seja, o ser e sua permanência só o é na impermanência. Tudo que existe está deixando de ser, ou sendo mais direto: o ser é (na impermanência) não-ser. Se tudo que é é enquanto movimento (fluir), então não existe o repouso.
- Com essa tese, Heráclito entra em conflito com outro filósofo chamado Parmênides que vai formular a tese de que " o ser é e o não-ser não é.
- Então, a princípio, o conceito de devir, numa Linguagem simplista e espontânea, significa que nós devemos nos perceber na inconstância de que somos. Há dentro da estabilidade da nossa identidade, um movimento, uma mudança, logo, uma instabilidade. O mesmo Heráclito no seu primeiro fragmento (fragmento 1) diz que "Deste Logos, sendo sempre os homens estão descompassados (...)". Descompassados aonde? Na physis, para usar a terminologia da época. Physis quer dizer no todo, neste plano físico, os homens, ou seja, a identidade que é um termo da linguagem (isso porque no real só existem indivíduos. A identidade do ser é uma representação racional, portanto fabricado pela razão e seus instrumentos linguísticos e simbólicos) está descompassada no aqui e agora, no presente. Descompassado implica dizer, fora de ritmo, numa outra síntese do tempo.
- Para Gilles Deleuze, o devir tem profunda relação íntima com o tempo. Um passeio pelo livro Lógica do Sentido (1969), logo nas primeiras páginas, Deleuze apresenta um devir-louco como uma imagem descompassada abaixo da *linha dividida de Platão.
- (Imagem acima da linha dividida da teoria do conhecimento de Platão)
- Além da dualidade platônica famosa dos manuais de filosofia, divisão entre mundo sensível abaixo da linha ( natureza orgânica) e mundo inteligível acima da linha ( estrutura racional e dialética), haveria uma outra dualidade com uma cara mais contemporânea: Deleuze apresenta em Platão uma dualidade abaixo da linha, entre as coisas que são contornadas ou determinadas pelos limites da ideia ( uma cadeira possui seus limites sua forma que é um reconhecimento próprio da racionalidade) que estaria no nível da PISTIS. Pistis, à grosso modo seria a crença forte nos objetos cujos formato estão preestabelecidos. O outro lado desse dualismo seria a EIKASIA, onde os seres não se submeteriam aos limites das ideias. Ora, as ideias causam limites nos corpos, mas haveria, segundo Deleuze, corpos sem limites, corpos eikasticos. EIKASIA, do grego, em latim seria ícone, que para nós tem a denotação de IMAGEM. EIKASIA que para os gregos tem a ver com simulacros que em latim daria o termo fantasma, ou melhor, seres sutis, seres menos densos cuja energia é mais preponderante do que as formas geométricas das ideias.
- Portanto, Deleuze chama esse corpo sutil de devir-louco:
- Platao convidava-nos a distinguir duas dimensões, a das coisas Iimitadas e medidas, das qualidades fixas, quer sejam permanentes ou temporarias, mas supondo sempre freadas assim como repousos, estabelecimentos de presentes,
- designações de sujeitos: tal sujeito tem tal grandeza, tal pequenez em tal momento; e, ainda, urn pure devir sem medida, verdadeiro devir-Iouco que nao se detem nunca, nos dois sentidos ao mesmo tempo, sempre furtando-se ao presente, fazendo coincidir o futuro e o passado, o mais e o
- menos, o demasiado e o insuficiente na simultaneidade.
- Bom ficaremos por aqui com essa exposição do termo devir com certa ligação de corpo energético, energossoma corpo sutil.
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