Gabriele Donelli
RITRATTO DI FRANCIS BACON (1993)
Pois bem. Na filosofia e, mais precisamente, na filosofia contemporânea, Deleuze constrói toda sua obra dentro da linha da diferença, onde o esgotamento sistemático se encontra na sua tese de doutoramento que vai dar origem ao livro Diferença e Repetição (1968). Essa linha da diferença, na biologia, faz do corpo orgânico um simulacro, ou seja, um corpo sutil cuja causalidade se encontraria nos átomos e no vazio. Aqui (nesse caso do naturalismo especulativo e prático do atomismo, o livro de referência é Lógica do Sentido), Deleuze se apoia na física naturalista dos atomistas como Demócrito, Epicuro e Lucrécio. Esses átomos teriam um desvio de trajetória na observação especulativa de seus movimentos, desvio este que se chama clianamen, responsável por desvirtuar a velocidade da queda dos átomos causando uma incerteza no deslocamento dos mesmos. O clianamen seria a inserção de um tempo virtual na trajetória dos átomos dando, aos compostos de átomos uma certa sutileza, onde a natureza por sua vez passa a possuir dentro dela uma ilusão. Ainda na questão clianamen-tempo, em Lógica do Sentido, Deleuze fala do devir-louco que faz coincidir o futuro e o passado: "o puro devir, o ilimitado, é a materia do simulacro na
medida em que se furta a ação da Ideia [platônica]".
Enfim, para quem acha que o corpo energético, parapsíquico possa parecer uma questão de cunho espiritual metafísico, transcendente, apenas, engana-se: Em Deleuze, o paracorpo sutil ou seja, o energossoma, é do campo ontológico e tem uma relação que perpassa a natureza e vai além das suas leis; penetra naquela ilusão, na matéria do simulacro que, como vemos tem suas causas numa disfunção dos movimentos do átomos no vazio, chamado de clianamen, responsável, lá nos atomistas, por ligar o pensável do pensamento ao tempo virtual dos átomos.
Os simulacros tem alguma ligação com paracorpo sutil energético, psicossomáticos e mentalsomatico dos projeciólogos, tal qual escreve seu fundador waldo Vieira? Sim e não.
Sim, na medida em que deixemos de lado toda dualidade de mundos quer físico quer espiritual e traçamos aqui apenas uma única dimensão, uma única superfície de acontecimentos individuais, sociais, culturais ou quânticos e espirituais. E não, simplesmente pelo fato de ainda não aceitarmos falar de espiritualidade projetiva, holossomatica sem levar em conta o preconceito de uma pseudo ciência ou sem cair numa ultrapassada discussão doutrinária religiosa.
Estamos longe de aceitarmos essa estreita interpretação teorico-prática. O que temos aproximação, são as pesquisas que tem-se feito entre a filosofia da diferença de Gilles Deleuze e as filosofias de tradição hermética. Deixarei o link abaixo para que vocês entendam de onde tiro toda essa discussão.
http://cosmoseconsciencia.blogspot.com/?m=1
https://acervoclaudioulpiano.wordpress.com/
https://iipc.org/
Informações Adicionais
UNIVERSIDADE GAMA FILHO
Filosofia - Prof. José Messias dos Santos
Plotino (205 -270)
Metafísica - Como são 4 os graus do conhecimento - sensação, razão, intelecto e êxtase - também são 4 os graus do ser: matéria, alma, "noûs" (espírito) e Uno (Deus). O Uno é o princípio supremo de todo o ser e de todo conhecer - tudo depende dele. No entanto, transcende toda essência e todo conhecimento, de sorte que é inteiramente indeterminado e inefável, e dele pode-se dizer apenas o que não é - teologia negativa.
O universo deriva do Uno, não por criação consciente e livre, mas por emanação inconsciente e necessária. O Uno transcende ao mundo, mas este é da sua mesma natureza. Do Uno procede todo existente, a saber:
A primeira emanação é representada pelo noûs, inteligência subsistente, intuitiva e imutável, que se conhece a si mesma e em si as coisas.
A segunda emanação é a alma; esta procede do noûs, como este procede do Uno. A alma contempla as idéias, que estão no noûs, e enforma a matéria, segundo o modelo delas. A alma universal - a alma do mundo -, por sua vez se multiplica e especifica nas várias almas individuais, que estão em escala decrescente, do céu até os homens. Como Platão, Plotino sustenta que as almas humanas saíram de uma vida pré-mundana para o cárcere corpóreo. Ele também acredita na metempsicose, isto é, que a alma transmigra de corpo em corpo. Com a alma termina o mundo inteligível, divino, e começa o mundo sensível, material.
A última emanação é a matéria, ou seja, o mundo sensível, exatamente o oposto do Uno. Se o Uno é o Ser absoluto, fonte de todas as perfeições, a matéria é o não-ser, privação da realidade, sede de todas as imperfeições. Por isso é fonte do mal, da ignorância e da morte.
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